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Guerra contra a calvície

De origem genética, a calvície é um dos maiores temores masculinos quando o assunto é vaidade. Isso porque ela atinge cerca de 50% da população masculina até os 50 anos. 

Primeiro aparecem discretas entradas, no alto da testa, que “têm lá o seu charme”. Mas quando a calvície avança, e você acompanha pelo espelho o desaparecimento do topete, chega o desespero. Essa constatação é o sintoma mais característico da alopecia androgenética (“andro” significa hormônio masculino e “genética” quer dizer predisposição transmitida por genes), que provoca queda de cabelo crônica e difusa, manifestando-se, em geral, entre os 20 e 25 anos de idade. Mas passar pelo drama de ficar calvo pode surgir antes disso. Aproximadamente 20% dos homens com calvície se encontram na faixa dos 18 anos de idade. “O problema está ficando cada vez mais precoce. É muito comum que jovens entre 16 e 17 anos apresentem os primeiros sintomas de queda capilar”, explica o tricologista Ademir Jr. (SP). Isso acontece por causa do estilo de vida que alguns destes jovens têm, o qual inclui noites maldormidas, alimentação desequilibrada e até estresse, condições que desencadeiam a queda dos fios. Juntos ou isoladamente, os hábitos desregrados são vistos como fatores de risco para quem já tem predisposição genética para a calvície.

Ciclo interrompido

Para entender, literalmente, o que se passa na cabeça de um homem que está ficando calvo, é preciso conhecer a estrutura do fio de cabelo.
Independentemente da raça e da idade, o cabelo tem um ciclo de vida dividido em três etapas de desenvolvimento: a fase anágena, que dura de três a seis anos, corresponde ao crescimento ativo do fio; a fase catágena, que ocorre durante três semanas, é caracterizada pela regressão, ou seja, o cabelo começa a morrer; e a fase telógena, que acontece aproximadamente durante três meses, na qual o cabelo morto é empurrado por um novo fio anágeno.


Uma cabeleira possui entre 80% e 90% de fios na fase anágena, na qual entre 50 e 100 fios caem diariamente. Porém, esta mesma quantidade de fios volta a nascer. No caso da calvície, este ciclo sai do compasso, ou seja, os fios param de despontar. Nos homens, o quadro da calvície é agravado pela ação de uma enzima chamada 5-alfa-redutase, que transforma o hormônio masculino testosterona em outro hormônio, a dihidrotestosterona (DHT), responsável pelo afinamento dos fios e pela diminuição do ciclo de vida do cabelo. Resultado: a DHT antecipa a fase telógena. “O cabelo não cai, mas para de nascer. E este cabelo fica pequenininho, como se estivesse sendo ‘engolido’ pelo couro cabeludo. É por esse motivo que os cabelos ficam cada vez mais rarefeitos a cada ciclo”, explica o tricologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética (SP).


O diagnóstico da calvície pode ser feito por meio do exame tricograma, realizado em clínicas de dermatologia. “Informações, como antecedentes familiares, rapidez do fluxo seborreico, película gordurosa, tipos de produtos capilares usados, grau de ansiedade e outras características psicológicasdo paciente, medicamentos utilizados, entre outros agravantes, também são importantes para um diagnóstico preciso”, diz a dermatologista Monica Carvalho (SP).
Pode apostar, funciona Conheça os tratamentos e as novidades mais indicados pelos dermatologistas para controlar a calvície. Eles são eficazes tanto para estabilizar o problema quanto para aumentar o volume de fios, além de fazer a manutenção do tratamento, que deve ser permanente.


Tratamentos clínicos: entre os medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão a finasterida (de uso oral), que atua como bloqueadora do hormônio DHT, e as loções minoxidil e o alfaestradiol (de uso tópico). Além desses, a novidade do mercado são as loções à base do extrato de Serenoa serrulata, uma palmeira nativa da América Central. As loções têm efeito similar ao da finasterida e do alfaestradiol, que é inibir a ação da enzima 5-alfa-redutase no processo de transformação de testosterona em DHT. “As loções e os medicamentos contra a calvície necessitam de, no mínimo, três meses de ação para apresentar algum resultado”, diz Valcinir Bedin.


Laser: o tratamento com laser a frio de baixa potência estimula o crescimento dos folículos capilares. “Normalmente, ele é feito em conjunto com o tratamento clínico para trazer melhor benefício”, explica o tricologista Ademir Júnior. São recomendadas entre 10 e 15 sessões, uma ou duas por semana. Preço da sessão: de R$ 100 a R$ 200.


Medjet: ainda recente no Brasil, trata-se de uma variação do procedimento intradermoterapia. O Medjet usa as mesmas substâncias (finasterida, minoxidil, D-pantenol e biotina) e o mesmo princípio de ação – aplicar o medicamento diretamente no folículo piloso para impedir seu afinamento e encurtamento – que a intradermoterapia, mas substitui as injeções por uma pistola de pressão. São realizadas 10 sessões, sendo uma por semana. “A dor é suportável e o crescimento de novos fios pode ser observado a partir da terceira semana”, diz a dermatologista Roberta Bibas (RJ). O preço da sessão varia entre R$ 200 e R$ 300.


Transplante capilar: cirurgia indicada para os casos de calvície de grau moderado (quando há entradas e rarefação na coroa) a severo (quando existem cabelos somente na região posterior da cabeça, formando um “entorno” que abrange a região entre as orelhas) e quando o paciente não responde bem ao tratamento com medicação. O método consiste em retirar fios de cabelo de uma região doadora (das laterais e da nuca) e implantá-los onde há escassez. A grande vantagem é a velocidade de melhora do quadro capilar, com nascimento dos fios a partir de 3 ou 4 meses após a cirurgia. “Hoje em dia, os fios são inseridos de maneira irregular, respeitando sua curvatura original, o que traz um resultado natural. No passado, o transplante era feito de maneira uniforme, provocandouma aparência de cabelos de boneca”, afirma a dermatologista Fabiana Pietro (SP). Mas o preço da operação é “salgado”: varia entre R$ 6.500 e R$ 15.000, dependendo do especialista. E, muitas vezes, é necessário realizar mais de um transplante para cobrir as falhas.

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