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A atriz de pele morena, cabelos curtos, corpo curvilíneo e charme carioca é ainda mais bonita ao vivo. Sim, Angela Vieira, aos 58 anos, é uma das mulheres mais lindas do Brasil. “A beleza é consequência de uma boa saúde”, diz ela. Bailarina desde criança, é com seu corpo escultural, talento e carisma que ela seduz na televisão, no cinema e no teatro. Recentemente, interpretou a homossexual Leila Fratelli, na minissérie Cinquentinha, da Rede Globo, e conquistou as mulheres. “Desejo é desejo, não importa o sexo. Pela personagem, muitas querem ficar comigo agora”, brinca a atriz, antes de ser fotografada para o ensaio de capa.
 
Em 1999, Angela posou nua para a revista Playboy, o que mostra que mulheres maduras podem ser lindas, sensuais e elegantes. “O ensaio foi uma massagem para meu ego e, de quebra, dei uma ajudinha para as mais de 40 se sentirem bonitas”, diz a atriz, que assinou o livro Meia Idade Inteira (Ed. Globo), em 2004, com receitas de bem-estar e saúde. Mas nem só de beleza vive a atriz. Com 30 anos de carreira, já ganhou prêmios por suas atuações. Participou de 13 novelas, três minisséries e 20 peças teatrais, além de trabalhar sempre com os melhores atores e diretores de televisão e cinema, como Wolf Maya e Hugo Carvana. E vai além: Angela Vieira gostaria de interpretar a personagem Juliana, do livro Primo Basílio, clássico da literatura brasileira, de Eça de Queiroz, uma mulher cruel e angustiada. O contrário de tudo o que ela é: linda, feliz e de bem com a vida. O segredo de tudo isso? Alimentação saudável, exercícios físicos e Pilates, amor pela profissão e paixão pelo marido, o cartunista e roteirista Miguel Paiva, juntos há 20 anos. “Sinto que sou uma mulher de sorte”, afirma. Alguém duvida?
 
Como uma bailarina foi parar na televisão?
Eu era bailarina do Municipal no Rio, mas dançava pouco. Não que não houvesse espetáculos, mas muitas apresentações tinham um caráter mais conceitual. Achei que devia trabalhar mais com a palavra, interpretar, queria que os textos tomassem forma. Por isso fui procurar a televisão, eu e uma amiga minha, modelo, na época. Em 1978, entrei para o humorístico Planeta dos Homens, da Globo, e fiquei um bom tempo na linha de shows da emissora, como o Chico Anysio Show e Viva o Gordo.
 
O que o trabalho corporal de bailarina ajudou na sua performance como atriz?
Danço desde os cincos anos de idade, e o trabalho corporal, o domínio do corpo, me ajudou muito na minha atuação como atriz numa visão espacial. Para ser bailarina, tem de ser muito disciplinada, regrada, e tudo isso foi muito bom quando comecei a interpretar. Além disso, tenho facilidade para decorar qualquer coisa, nos detalhes, e tudo tem a ver com o balé.
 
Nos anos 1980, você fez parte do elenco de Corpo Santo, uma das principais novelas da Rede Manchete na época, que abriu novas portas para a teledramaturgia brasileira. Como foi trabalhar para outra emissora?
Foi um tempo de novidades, final da ditadura militar, estávamos sensibilizados com a morte de Tancredo Neves (presidente da República eleito, na época) e a televisão estava livre da censura e podia ousar. O elenco da novela era bem estrelado, estavam lá José Wilker, Christiane Torloni, Maitê Proença, Nathália Timberg, e o texto focava a vida suburbana, coisas do cotidiano. Lembro que, neste mesmo período, apareceram umas latas de maconha na costa brasileira, jogadas no mar por um navio, o assunto tomou os jornais do Brasil, e a novela falava de tudo isso. A gente tinha liberdade.
 
Aconteceu o mesmo que hoje, estrelas da Globo migrando para outros estúdios, como Record e SBT. Você foi procurada por estas emissoras?
Me sondaram, mas sou contratada da Globo. E, na minha opinião, quanto mais continuidade de trabalho o ator ou a atriz possa ter, melhor. Não importa a emissora. São novas oportunidades de trabalho, novas experiências. Aconteceu isso na época da TV Tupi, quando as estrelas foram para a Rede Globo. É normal.
 
Em 1999, você posou para revista Playboy e foi um marco por fotografar nua com mais de 40 anos. Fez pelo dinheiro ou por vaidade?
Claro que ser convidada pra posar nua aos 47 anos massageia o ego, né?! (risos) Foi muito legal fazer as fotos, porque trabalhei com o Bob Wolfenson, fotógrafo que eu adoro, e pude pensar na produção, como seriam as fotos... Tinha um clima anos 1950, meio Sophia Loren. A parte financeira do trabalho era bem boa e a artística também! Foi uma delícia e eu fiquei supersatisfeita.
 
Ficou nervosa na hora das fotos?
Sou muito disciplinada, claro que eu fiquei nervosa, mas não com pudores (risos).
 
E qual foi o retorno feminino em relação às fotos, por ser uma mulher de 47 anos, nua, numa revista masculina?
A Vera Fischer já havia feito antes. As mulheres adoraram. Não foi nada vulgar. Pelo contrário, o ensaio foi muito chique e elegante. E as imagens ajudaram a quebrar um pouco do preconceito para com as mulheres de 40 anos. Foi uma resposta de que podemos, sim, ser sensuais, independente da idade. 
 
Por isso escreveu o livro Meia Idade Inteira?
O livro foi um apanhado de tudo o que eu faço, com dicas para as mulheres. Faço medicina preventiva, academia, exercícios físicos, e tentei passar tudo isso como um aprendizado. O principal é que temos que cuidar da saúde e, consequentemente, vem a beleza.
 
Qual sua opinião sobre a busca pela juventude e beleza das mulheres de hoje?
Algumas mulheres precisam entender que não adianta lutar contra o que é irreversível. Se eu tenho certa idade, não dá pra fazer uma personagem jovem. A coisa da plástica, do Botox, tem de ser ponderada, senão fica um monte de mulher com cara de peixe robalo (risos).
 
Mas a televisão, o cinema, cobra essa juventude das mulheres...
Eu, como atriz, e que trabalho com imagem, entendo que a mídia tem de vender e uma imagem bonita vende. Mas tudo tem de ser agradável, não dá pra parecer uma louca toda esticada.
 
Você fez laboratório para viver uma homossexual em Cinquentinha?
Não fiz laboratório. Pensei que, para fazer uma homossexual, não precisaria me masculinizar. Desejo é desejo, não importa se é do mesmo sexo ou não. Para a personagem, a única coisa que pensei do universo masculino foi a abordagem da sedução, que tem mais a ver com a natureza do homem. Muitas pessoas perguntaram se eu era bissexual, por causa da personagem. Talvez porque visualmente eu e a Gabi (Marília Gabriela, que fez par romântico com ela na minissérie) demos certo. Mas uma amiga me disse que não aguenta mais as amigas dela querendo me comer (risos).
 
Você é uma mulher bonita, desejada por homens e, agora, também pelas mulheres. Seu marido (o roteirista e cartunista Miguel Paiva) fica com ciúmes?
Meu marido vive e trabalha no meio artístico e entende tudo. Eu casei com um homem especial.
 
E qual o segredo pra viver feliz com mais de 20 anos de casamento?
Três coisinhas: admiração, respeito e tesão. Claro que a sintonia acontece, mas precisa ter muito respeito e admiração pra viver feliz a dois. Tem de conversar sobre tudo, sexo também, o que é legal, o que não é. Tem de ceder de um lado, o outro também. Eu me sinto uma pessoa de sorte, porque tenho mais de 50 anos e estou apaixonada. E, claro, tem que ter tesão e praticar, né?! (risos).
 
Como é sua alimetação?
Evito alimentos com farinha refinada. Como cereais integrais, frutas e iogurtes, deixando de lado aqueles que trazem calorias vazias e nenhum benefício à saúde, como frituras, molhos gordurosos e doces. Tomo óleo de linhaça todos os dias. Como ovo caipira por não ter hormônios e tomates e verduras sem agrotóxicos. No geral, procuro colocar em prática o truque de me alimentar de 3 em 3 horas, evitando sentir muita fome na próxima refeição e mantendo o metabolismo sempre ligado. Faço também hidroginástica, Pilates e corro de 4 a 5 quilômetros por dia.
 
Qual personagem você gostaria de interpretar?
Gostaria muito de interpretar a Juliana, da obra de Eça de Queiroz, Primo Basílio. É uma personagem muito rica, complexa. Ela é toda fechada, amarga, perversa. Eu nunca fiz alguém assim.
 
Quais os próximos trabalhos em televisão, cinema e teatro?

Televisão, só para o segundo semestre. Participo do novo filme de Hugo Carvana, Não se Preocupe, Nada vai dar Certo, faço uma executiva, e também do espetáculo teatral O Matador de Santas, peça de Jô Bilac.

 

[Texto: Edwin Paladino]
[Fotos: Priscila Prade]
[Styling: Drica Cruz]
[Beleza: Kaká Moraes]

 

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Angela Vieira: linda, feliz e apaixonada. E-mail