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Divertida, bonita e talentosa, a atriz conquistou os telespectadores do Brasil com o drama de seu personagem da novela global Viver a Vida

Na telinha, Bárbara Paz interpretou Renata, atriz e modelo que sofria de anorexia  alcoólica. A personagem despertou o  interesse do público para o problema. “A Renata é uma resposta para muitas meninas e mulheres que têm esse transtorno e não sabem”, afirma. De fato, a atriz recebe milhares de e-mails e cartas de telespectadores com elogios sobre sua atuação. Muitos agradecem pelo alerta sobre a doença. “Acredito que fiz um serviço social”, diz Bárbara. Aos 35 anos, a atriz é uma celebridade nacional. Ficou famosa ao vencer o reality show Casa dos Artistas, em 2001, no SBT, o que, segundo ela, foi um “misto de vitória e contemplação”. A participação no programa lhe rendeu muitos trabalhos. Estrelou três novelas na emissora de Silvio Santos (Marisol, Cristal e Maria Esperança), montou peças teatrais, fez cinema e ganhou o prêmio de melhor atriz no 31º Festival de Gramado,

 
Qual é sua primeira lembrança teatral?
Quando eu tinha sete anos, na cidade de Campo Bom, onde nasci, no Rio Grande do Sul, fui a um circo que havia chegado por lá. Fiquei fascinada, principalmente com a apresentação da trapezista, que me emocionou muito. Seus movimentos chamaram muito minha atenção.
 
E qual foi a sensação?
Foi uma mistura de várias sensações. A alegria do aplauso, a plateia adorando, a felicidade que a trapezista me passou com a apresentação, além do cenário do circo, colorido, do picadeiro. Adorava ver a vida por meio de seus personagens. Foi inesquecível, marcou muito minha infância. O circo da cidade foi o palco da minha imaginação por muito tempo.
 
Isso a motivou para seguir a carreira de atriz?
Sim. Lá na minha cidade não assistíamos muito a televisão, então eu criava meus personagens imaginários, apesar de meus brinquedos, minhas bonecas, meus carrinhos... Sou uma típica libriana, vivo no mundo da imaginação. Quando criança, minha felicidade consistia em ir para o quarto vestir roupas, maquiar-me e fazer meu circo em casa mesmo. Era uma palhaça. Minha família morria de rir.
 
E como foi deixar Campo Bom e chegar a São Paulo, aos 17 anos?
Nessa idade decidi vir para São Paulo, a cidade dos meus sonhos. Matriculei-me numa escola de teatro, a Macunaíma, fiz algumas peças, trabalhei como modelo também, desfilei e assinei alguns trabalhos publicitários. Eu chorava por estar num lugar novo, mas sabia que era uma nova fase em minha vida. Trabalhei em grupos teatrais, como Parlapatões, Pia Fraus, Antunes Filho e outros grandes diretores da nossa geração. Foi nessa época em que descobri a sensação de estar no palco!
 
Você foi o primeiro personagem de um reality show a ganhar projeção nacional, quando estreou a Casa dos Artistas, em 2001, no SBT. Como atriz, o que motivou sua participação no programa?
Entrei por causa da grana. Ganhei o programa e comprei minha casa. Não tinha noção do sucesso. Fiquei no olho do furacão, foi um momento forte, não me arrependo. Do dia para a noite, virei uma pessoa pública. O programa me deu força para trabalhar mais.
 
Recebeu críticas de outros atores pela participação?
Depois do programa, fiz diversas peças, trabalhei em novelas, protagonizei uma história... Abriu-me portas. Foram pouquíssimas as críticas. E não mudei meu jeito de ser por causa da exposição que o programa me deu. Na época, um amigo me disse:
“ você é uma garota que sempre chamou a atenção!”. (risos)
 
E como foi ser protagonista de uma novela (Bárbara estrelou Marisol, do SBT, em 2002)?
Fiz a novela logo depois da Casa dos Artistas, e foi um susto. Agora vejo a coisa com mais crítica, vejo que precisava de mais técnica. Trabalhar numa novela é um exercício diário para o ator. Digo que a carreira de ator é em longo prazo.
 
Em Viver a Vida, da Rede Globo, você interpretou uma mulher que sofria de anorexia alcoólica. Onde pesquisou para viver o personagem?
Fui a psiquiatras, entrevistei médicos, especialistas. O transtorno se chama “drunkorexia” ou “alcoolrexia”, e se trata de um misto que envolve sintomas tanto da anorexia como do alcoolismo, mas que não se encaixa por completo na definição de nenhuma destas duas doenças. Em minhas pesquisas, vi que esse problema é muito evidente em grupos de mulheres, mas nem elas sabem muito bem o que ele é. Um professor me contou o caso de uma menina, sua aluna, de 12 anos, que sofre desse problema, e que a família dela não entende como uma adolescente vive isso.
 
Quem são seus ídolos, pessoas de que gosta e a quem admira?
Primeiro minha mãe, claro. E, dos artistas, adoro a Fernanda Montenegro, que é realmente a grande dama do teatro brasileiro. Ela é um espelho para uma atriz. Gosto muito da Andréa Beltrão e da Marieta Severo. Das estrangeiras, eu gosto da Juliette Lewis. Ela é fantástica e ainda canta e tem uma banda de rock and roll incrível. Gosto também de cantoras de jazz, como Nina Simone e Ella Fitzgerald. Na dança, Pina Bausch. E, no teatro, Antunes Filho.
 
Cinema, televisão ou teatro?
Eu acho o cinema a arte maior, há a direção, a imagem, a interpretação, o poder que exerce sobre as pessoas… Gosto tanto de cinema, que a primeira sala de exibição da cidade onde nasci tem o meu nome. Eu adorei a homenagem.
 
Entre os seus próximos projetos está a montagem da peça Hell, baseada no livro da francesa Lolita Pille. Por que você escolheu esse texto?

É um romance, e tem a ver com o que estou fazendo em Viver a Vida, como Renata. Interessei-me pelo assunto e pelo livro porque este retrata muito bem a vida das meninas ricas que têm muito dinheiro, drogam-se, sentem um vazio. É um problema atual, pelo qual muitas adolescentes passam. Elas amam, mas não entendem este sentimento, não conseguem admistrar isso. E a resposta para tudo isso é o consumo desenfreado de roupas, drogas. Para elas, é melhor consumir do que se apaixonar. O Hector está escrevendo a adaptação e quem dirige a peça é o Rafael Primo. Estreia em outubro, no Teatro do Sesi, em São Paulo.

 


 

[Texto: Edwin Paladino]
[Fotos: Priscila Prade]
[Styling: Drica Cruz (Abá Mgt)]
[Beleza: Jr. Mendes (First)]

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Bárbara Paz: Divertida, bonita e talentosa. E-mail