Diversidade

Toda forma de amor: quando a diversidade fala mais alto que o preconceito

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Lulu Santos já cantava em 1983: “Consideramos justa toda forma de amor”. O trecho da canção “Toda Forma de Amor” faz todo sentido, sobretudo nos dias atuais. O amor não tem padrão. Ele é livre. É diverso. Pertence à todos que desejam amar. Mas nem sempre foi assim. Embora só agora a sociedade tenha consciência da diversidade, ela sempre existiu. A diferença é que hoje ela está mais exposta, graças ao amplo debate proporcionado por movimentos e o acesso à informação.

O discurso de que “somos todos iguais” vem sendo desmistificado aos poucos. Em seu conceito, ele traz uma interpretação de que, mesmo com todas as diferenças de etnias, sexo, crenças e valores, todos são iguais, o que não procede. Cada indivíduo é completamente diferente do outro. O que a frase tenta reproduzir, na verdade, é que “todos têm os mesmos direitos”, independentemente de credo, raça ou orientação sexual. Todos têm os mesmos direitos inclusive de amar da forma e a quem quiser.

A diversidade no amor

A diversidade contemporânea tornou o amor romântico, por exemplo, apenas uma das formas de amar. Hoje a sociedade percebe que o amor é uma construção social que varia de cultura para cultura. Por isso, as pessoas se permitem a amar mais da forma que quiserem.

Essas mudanças acompanham desconstruções históricas. Há algumas décadas era um escândalo afirmar que no futuro as moças deixariam de casar virgens. O divórcio também era um assunto delicado. Contudo, é considerado normal nos tempos atuais. No amor, não será diferente. A tendência é que as pessoas descubram as suas próprias formas de amar.

As novas formas de amar já são praticadas por parte da sociedade. Hoje ela consegue experimentar relações que fogem do tradicional. Entre elas, a poligâmica e a aberta. No entanto, ainda há resistência, influenciada pelas crenças e valores ligados ao moralismo. Além de desconstruir crenças aprendidas, o outro desafio é enfrentar o preconceito.

Nas últimas décadas, surgiram as relações informais, que não precisam necessariamente dividir o mesmo espaço e as mesmas rotinas. Além delas, as amizades coloridas, em que amigos ficam uma vez ou outra sem compromisso. Algumas pessoas inclusive conseguem amar várias pessoas ao mesmo tempo, como o poliamor, e, até, dividir o parceiro com outros indivíduos, numa relação aberta. O amar a si mesmo é a outra forma que cresce na sociedade. Esse sentimento destaca-se porque as pessoas começam a gostar da própria companhia, desconstruindo o velho padrão de que é necessário um parceiro para ser feliz.

Pode-se destacar, também, a mudança de concepção de terceira idade, antes limitada à uma vida monótona, dedicada aos filhos e netos. Os idosos percebem hoje que idade não é limite para amar e se permitem, quando divorciados ou viúvos, a encontrarem novos parceiros.

Além disso, é cada vez mais comum o relacionamento inter-racial. Apesar do racismo ainda ser bastante presente, as pessoas passam a ter cada vez mais consciência sobre respeito e tolerância à diversidade.

Outros avanços que a sociedade apresenta é a aceitação à relação homoafetiva. Embora haja um grupo conservador que proteste contra, as grandes empresas começam a entender que o amor é diverso. As propagandas do Dia dos Namorados são grandes exemplos. Nos últimos anos, as marcas começaram a investir em casais que fogem do padrão heteronormativo, mostrando ao consumidor que os gays também amam.

Isso não quer dizer que a forma tradicional entre homem e mulher de amar é errada. Há pessoas que querem namorar, casar e ficar com a mesma pessoa pelo resto da vida. Mas existem outras que não. Essa é a diversidade que fala mais alto que o preconceito, pois “consideramos justa toda forma de amor”.

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